O Museu Rodin não é bem um museu. É um palacete — o Hôtel Biron, onde Rodin trabalhava — e um jardim de três hectares, e a escultura reparte-se pelos dois.
É aí que o visitante perde. Cinco das onze obras que o próprio museu considera essenciais estão ao ar livre. O Pensador, A Porta do Inferno, Os Burgueses de Calais, o Balzac e A Meditação estão todos no jardim. As pessoas terminam a casa, dão-se por satisfeitas e saem passando ao lado das cinco.
Este guia lista as onze com a localização real, dentro ou fora, na ordem de uma visita sensata.
Lista rápida: as 11 obras imperdíveis do Museu Rodin
- O Pensador — Rodin — Jardim
- A Porta do Inferno — Rodin — Jardim
- Os Burgueses de Calais — Rodin — Jardim
- Monumento a Balzac — Rodin — Jardim
- A Meditação (A Voz Interior) — Rodin — Jardim
- A Idade do Bronze — Rodin — Rés do chão, Sala 3
- O Beijo — Rodin — Rés do chão, Sala 5
- A Danaide — Rodin — Rés do chão, Sala 7
- A Catedral — Rodin — Primeiro andar, Sala 10
- Retrato do Père Tanguy — Van Gogh — Primeiro andar, Sala 12
- O Homem que Caminha — Rodin — Primeiro andar, Sala 17
Destaques (com pré-visualização de áudio)
1. O Pensador — Rodin
📍 Jardim
Nem sempre esteve sozinho. A figura começou como parte da Porta do Inferno, sentada acima da porta e a olhar para baixo — um poeta a contemplar a cena. Rodin ampliou-a depois e colocou-a sozinha, e é essa a versão que o mundo conhece. Vê-lo no jardim, a poucos passos da porta de onde saiu, devolve-o ao seu contexto.
2. A Porta do Inferno — Rodin
📍 Jardim
Rodin trabalhou nesta porta durante trinta e sete anos e nunca a entregou. A encomenda era para um museu que nunca chegou a ser construído, e ele continuou a acrescentar, retirar e ampliar figuras até morrer. É por isso que tanta coisa da coleção parece familiar antes de a vermos: O Pensador, As Três Sombras, O Beijo começaram todos aqui. Chegue-se o suficiente para distinguir figuras isoladas — a porta é um catálogo de tudo o resto que há no jardim.
3. O Beijo — Rodin
📍 Rés do chão, Sala 5
Este foi retirado da porta. O casal são Paolo e Francesca, de Dante, e deviam estar entre os condenados — mas o grupo parecia feliz demais para uma porta do inferno, por isso Rodin tirou-os de lá e deixou-os sozinhos. Repare na mão sobre a anca dela e no livro que ele ainda segura: a rigor, é o instante antes do beijo.
Lista completa: 11 obras por localização
Jardim
Rés do chão
Primeiro andar
Como ver tudo em 2 horas
Vá primeiro para fora, sobretudo se estiver bom tempo ou a luz estiver a ir. O jardim fecha com o museu mas lê-se mal às escuras, e a casa funciona com qualquer tempo.
Comece pelO Pensador, a poucos passos à direita da entrada. Dali o jardim volta em direção à Porta do Inferno — fique um pouco à frente dela, porque quase tudo o que está dentro da casa começou como figura naquela porta. Os Burgueses de Calais ficam baixos, junto à água. O Balzac e A Meditação estão mais adiante, ao longo do terraço.
Depois a casa, rés do chão primeiro: A Idade do Bronze na Sala 3, O Beijo na Sala 5, a Danaide na Sala 7. Em cima, A Catedral está na Sala 10, o Van Gogh que Rodin possuía na Sala 12, e O Homem que Caminha na Sala 17.
Duas horas chegam se não voltar atrás. Três são confortáveis, e no jardim vale a pena sentar-se.
Uma forma mais inteligente de visitar o Museu Rodin
Em vez de andar às cegas, muitos visitantes usam agora percursos guiados e comentários em áudio para dar sentido à visita.
Com o MuseCat, pode:
- Seguir um percurso que acompanha o local — jardim e casa, não uma lista
- Ouvir porque é que uma obra é assim enquanto está à frente dela
- Continuar sem rede, o que num jardim conta
Para terminar
O Museu Rodin é suficientemente pequeno para se ver bem numa tarde: uma das poucas grandes coleções de Paris que se terminam sem pressa.
Só não saia sem percorrer o jardim. Metade do que veio ver está lá fora.
Comece a sua visita ao Museu Rodin da forma inteligente →
Imagens das obras via Wikimedia Commons. Fotografias da Porta do Inferno e da Meditação: Jean-Pierre Dalbéra (CC BY 2.0); Os Burgueses de Calais: Shadowgate (CC BY 2.0); A Catedral: Evgenii (CC BY 2.0); O Homem que Caminha: Lomita (CC BY-SA 3.0).